Damned and Divine
Depois de tanto tempo sem postar(e bota tempo nisso), estou de volta e desta vez homenageando minha grande amiga Jaque Weasley. A partir de hoje vcs irão conferir a melhor Harry Potter's Fanfiction, Damned and divine.
Ambientando-se...
Elizabeth caminhava incerta e com solavancos no coração acompanhando os das pernas. A trilha tortuosa e mal cuidada lhe dizia que estava percorrendo o que a levaria onde almejava. Se o seu desejo era o correto e o melhor para si, neste caso, não era possível afirmar...
- Lily! Lily! - a mãe da jovem estava ficando impaciente por tentar fazer a filha caçula desgrudar ao menos os olhos da tela do notebook, tarefa praticamente fadada ao fracasso.
- LILÍAN EVANS! - o tom e a entonação não deram alternativas à ruiva, a não ser encarar sua genitora.
- Venha se juntar a nós! - era uma ordem e a filha sabia que desta, não teria escapatória – Cinco horas de viagem e não acredito que você não queira, no mínimo!, usar o banheiro!
Aborrecida por ter sido interrompida no ápice de sua inspiração literária, a garota jogou suas pernas tão brancas quanto os próprios braços para fora da Pajero, levando alguns segundos para descer seguramente do automóvel sem se sujar.
- Olha o bico menina! - advertiu a senhora Evans e Lily virou o rosto, com a carranca mais acentuada e evitando que sua mãe visse.
Se refreando para não bater o pé, a adolescente rumou para o que achava ser o banheiro. E diferente do esperado, o toalete era bem limpo e cheiroso para um que ficava na estrada.
Petúnia estava escovando os dentes enquanto arrumava sua frasqueira com a mão desocupada. A mais nova seguiu para o reservado e esperou pacientemente sua raiva amainar. Ouvindo o barulho de água escorrendo e o de sua irmã cuspindo o creme dental, a desconcentrou e a longínqua vontade de urinar, fugiu assustada.
- Valeu Petty – resmungou e para sua descrença e aversão, a irmã passou a cantarolar desafinadamente e a sapatear – Ah não...
Fechou os olhos e tapou as orelhas, esperando abafar e se isolar da pequena tortura (absurdamente pequeno orgulho e gênio, para os pais) quando sua porta tremeu e ribombou, pelo fato de ser de alumínio.
- Petúnia! Eu preciso de concentração aqui, beleza? - a ironia e desprazer eram evidentes na voz da caçula e a outra, contentou-se com o resultado repetindo a ação.
Acreditando que já era o suficiente, Petúnia saiu do comodo gargalhando diante da tormenta que provocara. Desta vez, ela ganhara.
- Idiota... - murmurou a que ficou para trás, observando seu reflexo no espelho – Viagem idiota – retificou e encarou sua imagem emburrada – Espero que pelo menos tenha energia em Hogsmead!
E deixando o banheiro mais enraivecida do que quando entrara, atravessou a calçada em direção ao carro e ao seu inseparável note.
- Chegamos! - anunciou desnecessariamente o senhor Evans.
- O quarto da frente é meu! - berrou Petúnia para uma desinteressada e apática Lily.
Os pais olharam para a filha restante ainda acomodada confortavelmente no enorme banco de couro cinza, com seu escudeiro e bote salva vidas no colo.
- Querida, não quer ver o seu quarto? - perguntou a mulher ainda com o marido a envolvendo pela cintura e ambos, com olhares apreensivos voltados para a menina.
Ela engoliu a resposta que daria, “um sofá e um tomada, me basta”, provavelmente muito mal criada e se dirigiu para a entrada da imensa casa de campo cor de tijolos.
A decoração era acolhedora e minimalista. O contrário de escolhas passadas de seus pais. Surpresa positivamente, ela subiu as escadas largas feitas de uma madeira escura e polida. O segundo andar era tão claro quanto o sol permitia, principalmente devido a todos os quartos estarem com suas portas escancaradas.
Mal chegara ao extremo norte do corredor e já percebera dolorosamente a música que Petúnia gralhara no banheiro da estrada. Compreensivelmente, a ruiva se afastou e pisou em um aparador de portas. Algo disforme e que aparentava ter sido confeccionado há séculos, com bolinhas de tecido repuxadas em locais aleatórios e manchas dispostas de jeito semelhante.
Mantendo-o em mãos, Lily penetrou no quarto para visualizá-lo melhor.
O quarto não era deslumbrante, nem despertou ondas de arrepios prazerosas em sua espinha e muito menos, a certeza de que o comodo era perfeito para si.
Indiferente à poeira e ao pano bege que cobria alguns objetos e móveis não identificáveis pela forma ou dimensão, Lily sentou no chão, mais limpo que a cama, e procurou uma tomada para alimentar seu notebook.
Ali tinha energia e o mais importante, muitas tomadas.
- Temos uma piscina no quintal, não é maravilhoso? - sorriu Rose com um avental florido amarrado ao corpo esbelto, e os cabelos loiros presos numa trança.
Lily resmungou algo qualquer em resposta prometendo a si, nunca aparecer de bíquini perto da mãe, o resultado poderia ser uma manhã inteira inutilizável para pegar sol afim de bronzear o que era albino por natureza.
- E então filha, que acha? - Alan Evans estava com a fronte salpicada de suor, nas mãos possuía uma vassoura e aos pés, vários produtos de limpeza.
Esclarecendo: ele apontava para a piscina.
- Lindo pai! - Lily lhe sorriu radiante e ele devolveu o sorriso, triunfantemente – Por que não trouxemos os vizinhos hipopótamos conosco? - ela acrescentou irônica deixando o homem atordoado.
Revirando os olhos ela retornou à casa. Sua mãe arriscava uma nova receita que afirmava ser típica da região, meio pelo qual ela compareceria na reunião anual das senhoras-cozinheiras-de-mãos-e-braços-e-pés-e-mente-e-etc-cheios de Hogsmead. Nome ridículo na opinião de Lily, que recusou sabiamente o convite da mãe para acompanhá-la.
O comportamento da ruivinha poderia ser justificado por ela ser uma pedra chata no sapato que não era fácil de se agradar, ou pela simples verdade de ser uma adolescente (N/A: minha sugestão favorita x3) ou, o quesito mais plausível: não havia internet no vilarejo.
Recebendo um puxão de orelha de sua mãe, que a mandou arrumar o quarto, Lily galgava degrau por degrau sem vontade e forças, preguiçosa e desmotivadamente ela atingiu o andar de cima. A música e a voz espanta-seres-com-tímpanos-e-senso-de-sobrevivência de Petúnia quase levou Lilían a se atirar da escada.
Motivada (para encarar até a eternidade sem seu notebook) e ágil, ela correu para a sala e sem dar chances a sua mãe de reclamar e ralhar-lhe, saiu de casa tomando a via para o centro da cidade.
A vegetação parecia morta, apesar de ser dia e os raios de sol não demonstrarem ser tão fortes e secantes como os do deserto. Além do que, o orvalho discreto indicava que chuvas não faltavam no local. As árvores estendiam seus raros e frágeis galhos para o asfalto, detalhe somente percebido por observadores detalhistas e de fora do carro e da estrada, como por exemplo: Lily.
Contornou um grande carvalho, que lhe chamara a atenção por aparentar ser o mais imponente e forte de toda a mata que lhe circundava.
Impressos no seu grosso e resistente caule, assemelhando-se com marcas de garras, os arranhões se dispunham mais rasos e superficiais na área que ficava exposta aos olhos de quem percorria o asfalto, e mais profundos e sulcosos quando estavam voltados para a densa floresta.
Intrigada, ela passava os delicados dedos perolados pelas escoriações e como se pudesse sentir a agressividade de quem as fizera. Afastou-se da árvore quando vozes alegres e entusiasmadas de jovens lhe chegaram aos ouvidos.
Um grupo dividido em bicicletas, skates e a pé mesmo, se aproximava aéreo quanto a presença dela.
O primeiro a notá-la foi o rapaz alto e loiro, que parecia ser o centro das atenções dos adolescentes.
- Olá – ele disse de forma encorajadora e audível o bastante para que todos estancassem em suas brincadeiras e risadas, para prestar atenção em Evans.
- Oi – ela respondeu não agradada pela provável situação de que começaria a fazer “amiguinhos”.
- Mark Topsham – ele sorriu querendo soar encorajador.
- Lilían Evans – ela retrucou automaticamente arquitetando uma saída dali.
- Esses são Frank, Alice, Emelina, Amos, Gladys e Veronica – apresentou enquanto os enunciados acenavam ou diziam “oi” para sinalizar quem era quem.
A ruiva se resignou a anuir e não arriscar-se em gravar os nomes, muitos para um tacanho cérebro letárgico como o dela.
Lily esqueceu de enumerar para si própria sua inegável característica anti-social, ponto determinante na avaliação de fazer amizades, como uma péssima alternativa.
- Indo para a cidade? - Amos indagou simpático, mais loiro que Mark e detentor de olhos azuis mais translúcidos que a piscina mais limpa que o senhor Evans conseguiria alcançar.
Antes que ela pudesse dizer que não, Frank a interpelou:
- Venha com a gente, estamos indo pra lá e podemos lhe apresentar o local – ele também sorriu e sua companheira Alice, o imitou com um sorriso doce, sem tirar seu braço entrelaçado ao dele.
- Uhum... - murmurou Lily vencida e se juntando a eles, lançando um único olhar distante para o carvalho que ficava cada vez mais para trás.
- Você é da onde? - interrogou Gladys, após desprender seus olhos castanhos muito interessados em Mark, com seu sorvete pela metade do copo.
- Londres – disse Lily que se contentava com um refresco e tentando esconder seu não contentamento em ter sido quase arrastada para a sorveteria.
Ela era um pouco metódica quanto a comida, mais um item em que era difícil de agradá-la. Graças a Deus sua mãe era uma cozinheira razoável, apesar de excêntrica, mas isso era facilmente contornável.
O clima estava aprazível naquele verão. Todavia, não só porque era verão que todos deviam correr para sorveterias!, ainda mais com o horário do almoço tão perto. Lilían era extremamente metódica, não somente um pouco...
- Me mudei de lá faz cinco anos – falou Amos permitindo que Veronica se apossasse de metade do seu sorvete.
- E prefere mil vezes aqui não é darling? - Gladys o encurralou, impressão que Lily obteve devido a entonação e gestos da morena, enquanto que Diggory concordou indiferente, se levantando para comprar mais sorvete.
Ajeitando suas madeixas de um preto azulado reluzente, que batiam em seus ombros bronzeados e a mostra pela blusa de malha e alcinhas, Gladys pediu tão meiga quanto podia:
- Esse Amos... Mark – ela olhou por entre seus longos e impecáveis cílios para o garoto – Pode me ver mais sorvete?
- Claro – ele pintou um discreto e caloroso sorriso nos lábios estreitos e se virou para a ruiva, ao seu lado – E você Lily?
- Preciso voltar, minha mãe deve estar preocupada – a garota pegou o copo de plástico para levar consigo, algo lhe dizia que o sol não estaria tão ameno quanto gostaria.
- A gente lhe deixa – ele fez menção de que se poria de pé e ela sinalizou em negativa.
- Não me perderei. Obrigada por apresentar Hogsmead – e se despediu, de longe, de todos.
Quando se viu fora da visão da turma, pegou a ruela da direita. Durante o passeio pela cidadezinha um dos estabelecimentos lhe interessou. Entretanto, sabendo que se sentiria mais a vontade para visitá-lo se estivesse sozinha, ela guardou para si sua intenção.
Então sua vez chegara. Era uma livraria, mais morna e aconchegante que seu lar temporário. Embora a quantidade e a maneira que os livros estavam arrumados, não tinha nada de organizado e metódico.
- Em que posso lhe ajudar? - uma mulher esguia com óculos sem hastes na ponta do nariz comprido, lhe interpelou suavemente.
- Só estou olhando – disse temendo ser expulsa, mas ousando dizer a verdade.
A mulher a mediu demoradamente quase fazendo Lily sair correndo, e em vez disso, a ruiva sustentou corajosamente o olhar perscrutador da atendente.
- Fique à vontade – o tom aveludado da mulher fez Lily soltar todo o ar que prendera inconscientemente durante a contenda muda.
Perdendo-se e adormecendo sua obrigação em voltar para casa, ela se desfez em alegria no meio daquelas empoeiradas prateleiras e encantadores livros desbotados, de todos os tamanhos e cores com suas capas macias e ásperas.
- Vamos fechar, Lily – Pince avisou uma hora depois que havia oferecido chá para a garota, conversado sobre os mais variados assuntos e estabelecido uma ligação afetuosa entre as duas.
Ela assentiu e deu adeus prometendo aparecer no próximo dia.
Inesperadamente, ao sair da cálida livraria o frio lhe engolfou sem piedade. Evitando bater seu queixo, a ruiva andava pela rua o mais rápido que podia, concentrando-se em manter seus músculos ágeis e responsivos a sua determinação de chegar o mais cedo possível em casa. Logo, ela não notou quando uma caminhonete encostou na calçada, a sua direita.
- Evans – o ocupante do carro abaixara o vidro para anunciar a sua presença à garota distraída, e conseguiu, vendo os olhos dela denunciando estar ligeiramente surpresa – Entre.
Diggory permaneceu calado, dirigindo com cautela e direcionando o aquecedor para Lilían. O silêncio a incomodou, preferia que ele a fuzilasse com perguntas para ela se defender da mentira. No interior as mentiras possuem pernas mais curtas do que na capital, concluiu com amargor.
- Melhor? - ele perguntou quebrando o silêncio para alívio dela e desviando seu olhar do caminho para sua imprevista passageira – Tem uma manta atrás do seu banco, se...
- Não, não. Estou ótima, obrigada – ela o interrompeu e ele comprimiu os lábios de um rosa pálido para não sorrir, Lily vislumbrou e interpretou sabiamente a atitude dele – Eu estava realmente indo em bora, quando encontrei a lojinha, tá ok?
- Claro... - ele concordou, mas sua feições gritavam completamente o oposto e seus lábios estavam ainda mais apertados, ele estava muito decidido a não rir.
- Estou falando a verdade! - ela exasperou-se começando a gesticular apreensiva, ansiando por soar verdadeira e dobrando-se, pegou a manta que negara anteriormente.
Diferente das outras pessoas, Evans sentia frio em situações difíceis e embaraçosas.
- Você avistou a livraria a três quarteirões da rua principal, na qual estava? - ele indagou seriamente e levantando uma das sobrancelhas.
A perplexidade de Lily fez com que abrisse sua boca involuntariamente e Amos, voltou sua atenção para o volante sorrindo, discretamente. Todavia, sorrindo.
Ela se manteve calada por alguns segundos, com as mãos correndo do colo para a manta, ao redor do pescoço.
- Sabe costurar? - ele interrompeu os fluxos de pensamentos de Evans que estavam altamente propensos a incitar-lhe a agir sem prudência: gritar a Diggory que poderia contar a verdade (que era a mentira que ela mesma contara) para quem quisesse, não estava dando a mínima.
- Ahn? - ela o encarou confusa, ainda com os pensamentos febris no foco mental.
- Sabe costurar? - ele repetiu sem nenhuma inflexão aborrecida por ter que dizer duas vezes.
- Não – ela respondeu mais confusa.
- Vai precisar, essa manta é de família – ele apontou para o tecido envolto no pescoço dela, e ela o encarou reticente, então Amos continuou – Minha mãe morreu e meu pai a adorava na manta, você acabou de destruir a barra e eu não sei costurar – ele detalhou e Lily olhou desesperada para a barra da manta desfeita entre seus dedos.
No nervosismo e profunda reflexão, ela enfiara as unhas fortuita e desmanteladamente no tecido macio, destruindo o delicado e complexo trabalho da bainha.
- Oh Deus! Oh Deus! - ela balbuciou – Não tem uma costureira nessa cidade?? - ela perguntou contendo sua histeria.
- Elas sempre elogiaram a manta – ele respondeu e Lily respirou amplamente, relaxada – Nunca conseguiriam fazer um trabalho tão magnifico em um milhão de anos – prosseguiu e o horror voltou as feições de Lily tão rápido, que a deixaram pálida – Aconselharam a nunca repuxar um fio...
Ele lhe dirigiu um olhar entre repreensivo e coercivo, constatando que Lily teria que aprender a costurar.
- Mas é só comprar outra meu Deus! - ela disse ofendida por estar sendo acusada abertamente por ele.
- Confecção personalizada de um andarilho no Peru, há seis anos – ele comentou calando Lily como um trovão amedrontador.
- Oh Deus! Oh Deus! Oh Deus! Oh Deus! - ela repetiu introvertida em sua afirmação que significava invariavelmente que estava em péssima situação.
Evans mergulhou numa mistura de inércia e melancolia onde os últimos metros que a separavam de seu lar passageiro, transcorreram silenciosos e igualmente melancólicos.
- Em casa – Amos anunciou e Lily o olhou como se somente agora estivesse se dando conta de sua presença.
Indolente à temperatura e ao seu salvador (título discutível, já que o rapaz trouxera mais problemas para a ruiva do que salvação), ela contornou a dianteira do automóvel e sem dar-lhe tchau ou agradecer, desferrolhou a débil trava do portão com a manta semi desfeita a balançar no seu pescoço.
- Lily! - sua mãe acorreu em direção a filha – Estava preocupada. Você não avisa, onde esteve?
Rose Evans levantou seus olhos, tão verdes quanto os da menina, da própria e os descansou em Amos.
- Oras Lily! Por que não convidou seu amigo para entrar? Nesse frio! – censurou Rose e se aproximou da caminhonete.
Lilían entrou no casarão como um zumbi.
Hogsmead era estranha além do aceitável para os meteorologistas. Num verão devastador em plena Inglaterra, em cujo período as queimadas eram muito comuns, nenhum foguinho ameaçava a própria cidade e as suas redondezas. Adicionalmente, o verão era por demais aprazível, não margeando o calor opressivo do resto do país (por isso o questionamento de Lilían quanto a tomar sorvete). E para arrematar a bizarrice, quando a noite estendia seu manto escuro sob o vilarejo, o frio era capaz de congelar ossos, até os dos mais avantajados!
Agora, se for levado em consideração a experiência da mais nova dos Evans, as peculiaridades não paravam por aí.
As árvores eram diferentes. Não abordando as espécies e subclasses e etc. Não. Eram diferentes de árvores normais!
Lily respirou fundo procurando se manter impassível diante de sua linha de raciocínio. Ela não planejava unicamente parecer comum, sem atrativos, com atributos tão desinteressantes quanto uma parede creme e sim, não concluir coisas absurdas e terminar coagida por um medo irreal criado por sua mente divagante.
Sim, as árvores. Aquele carvalho sintetizava tudo que a garota queria expressar. Precisava retornar a ele, e pensando melhor, poderia obter mais informações na livraria da senhora Pince.
Animada com os planos traçados e aparentemente efetivos, ela fechou o chuveiro de água morna e escolheu um traje sem preocupação.
Ao descer, o jantar estava posto e Amos era cercado pela atirada da Petúnia. Mesmo conhecendo-o minimamente, Lily pode perceber o estorvo que isto estava causando a ele e a ruiva se sentiu muito bem ao não passar perto dele. Era uma vingança particular por ele ter lhe oferecido carona com aquela ascorosa presunção de vitória e ainda por cima, a ter feito se descabelar pela manta.
Bem, a manta, Lily guardara a sete chaves dentro de um baú que trouxera consigo. Um baú com incrustações chinesas, ela adorava artefatos incomuns.
- Filha – a acentuação e volume que Rose utilizou fez Lily revirar os olhos, conhecia a mãe o necessário para saber o que ela falaria e mais especificamente, como falaria – Que amigo esse seu hein? Além de lindo, um doce de rapaz – sussurrou a senhora com estrelas nas orbes piscando na direção de Amos.
- Da próxima, não precisa nem se preocupar em me avisar, com um amigo desses pode chegar o horário que quiser em casa – piscou-lhe a senhora Evans carregando seu bolo de cenoura com chocolate para a mesa.
Lilían observava Diggory assustado com as investidas de Petúnia, ele fingia se interessar em livros sobre anti sepsia perfeita de piscinas somente para despistar a garota. O que não convencia ou demovia Petúnia de sua meta.
- Seu namorado filha? - Alan se postava rígido ao lado de Lily e emoções conflitantes lhe moldavam a face.
Lily entendia o pai, era árduo lutar contra o sentimento milenar de proteção paternal. Que pai ficaria feliz em ter que ver sua filhinha namorando? Porém, Alan reconhecia que a filha não estava dentro dos padrões da média de jovens, nunca apareceu com um namorico e tinha essa obsessão por escrever histórias. Então, ele ficava dividido entre seus ciúmes arcaicamente genéticos e a racionalidade moderna de deixar a garota ser feliz e, normal.
- Não pai – ela repreendeu um sorriso quando respondeu, e uma risada a transfigurando em espirro ao ouvir o suspiro de alívio do senhor Evans.
Percebendo a gafe, ele apressadamente se corrigiu ao pigarrear:
- Que pena Lily, ele me parece ser um bom garoto – a expressão masculina exageradamente séria e honrosa, exigiu muito esforço da garota para não rir.
Seu pai se afastou quando Rose pediu ajuda com os pratos, os quais estavam empilhados nos seus braços de maneira desordenada, e a ruiva ponderou se deveria interferir para ajudar Amos. No momento, ele corria de um lado para o outro da sala explicitamente apavorado da Petty.
Nããão, bocejou e esticou os braços acima da cabeça languidamente, estava muito cansada. Deixaria os pombinhos aproveitarem mais o tempo juntos...
Após o café que arrematava todos os jantares da família, a mãe de Lilían arquitetou a ocasião em que sua filha caçula poderia ficar a sós com Amos. Este, alheio aos planos da senhora Evans, olhava temeroso para qualquer indício de fios loiros que adentrassem seu campo visual.
- Não se preocupe. Mamãe amarrou Túnia aos serviços de casa – tranquilizou Lily com indiferença e monotonia no olhar verde.
- Sua irmã é uma louca! - a voz dele transmitia mais que um desabafo – Ela me assusta – pousou seus olhos azuis cristalinos e mais calmos sobre a garota a sua frente.
- Ela também me assusta – sorriu sem expor os dentes, subentendendo compreensão para ele – Bem, obrigada por passar esse enorme tempo comigo e com a minha família – comentou entediada com os modos que deveria cuspir e acrescentou com um sorriso forçado - Mamãe lhe adora.
- Evans... - ele iniciou incerto e se interrompendo ao ouvir um ruído as costas da ruiva.
- Lily – ela o corrigiu imperturbável e não se permitindo revirar as órbitas, para não demonstrar insensibilidade ao tormento do garoto.
- A gente se vê amanhã – ele disse já correndo para a caminhonete preta.
Petúnia vinha logo atrás.
Devido a chuva matinal, Lilían não pode parar no carvalho batizado de Mister X por ela. Chegou em Hogsmead mais cedo do que tinha em mente, o que não a impediu de seguir para a livraria.
Madame Pince a esperava com uma caneca morna de chocolate e alguns livros selecionados para a garota.
Inteirara uma hora lendo, quando uma fragrância, com vestígios de tabaco atenuado e folhas verdes, preencheu-lhe as narinas.
- Amos.
- Lily – ele disse sem que a fizesse desprender a atenção dos livros – Ao menos a chuva não a obrigará a tomar sorvete – falou com uma pitada de galhofa.
- Hahaha – agora ela o encarava – Encontrou com alguém? - era perceptível a preocupação em sua frase e a brusca mudança no tipo de abordagem em sua voz.
- Não, nem a costureira que você me indicou – respondeu com fingida inocência.
Ela contraiu os lábios.
- Meu pai está perguntando pela manta – acrescentou em tom casual pegando um dos livros da pilha e folheando-o despreocupadamente.
- Disse que darei um jeito, então darei um jeito! - ela retrucou começando a se alterar.
- Claro... - ele que não despregava seus olhos do livro, o que estava irritando a ruiva, além do típico sorriso contido.
- Vocês não vão pra escola não? - ela mudou de assunto estrategicamente, tentando alfinetá-lo.
- Nas férias?
- Não existe um colégio em Hogsmead? - ela ignorou a interrogação com a incredulidade beirando o sarcasmo e o deboche.
- Hogwarts – disse deixando o livro sobre a cabeça da garota, mais baixa que ele – Quer conhecer? - interrogou, nivelado com as orbes esmeraldas e provocante sutilmente, com seus lábios pálidos a centímetros dos rosados e suculentos dela.
Interpretando a mudez como um sim, liderou a saída da livraria.
- Deve ser um castelo tão antigo quanto a minha tataratataratataravó! - ela estava empolgada, tudo que remetia a séculos passados a empolgava, sem mencionar o fato de que utilizava desses conhecimentos para escrever seus romances.
- Existe um castelo, mas ele não é a nossa escola há um bom tempo – elucidou Diggory enquanto dobrava numa via antes de atingirem a casa de Lily.
- Por que? - ela perguntou taxando o acontecimento como pura loucura e heresia.
- Não sei. As pessoas que chegaram a estudar lá, morreram – ele observou um brilho despontar nos olhos e um sorriso esperto no rosto de Lily – Morreram de velhice – enfatizou como se conversasse com uma criança de cinco anos.
Ela soltou um muxoxo de desapontamento.
- Qual a graça de viver em Hogsmead se não estudam num castelo? Sem internet, sem atrativos, sem... - ela parou ao encontrar o olhar impassível de Diggory sobre si.
Ele estava prestando atenção ao que ela dizia, mas Lily não soube avaliar se ele estava gostando ou não do que escutava.
- Onde é a escola? - disfarçou com o mesmo sorriso, trinta e dois dentes, falsificado.
A água descia carinhosamente das nuvens, como um tímido chuvisco sobre os habitantes do vilarejo, assim como sobre a construção moderna de Hogwarts High School.
O prédio decepcionou instantaneamente Evans e Amos riu das caretas e comentários pessimistas da garota.
- Você é difícil de agradar – ele constatou e ela deu de ombros, tomando um gole de seu refrigerante.
Estavam na cafeteria do colégio, sentados em um banco avulso com água desprendendo-se de suas roupas e molhando o piso aos seus pés e arredores.
- Existe uma lenda – ele começou rompendo a calmaria do local e despertando a curiosidade e atenção de sua companheira prontamente – Uma história na verdade, sobre o motivo do castelo ter sido abandonado – continuou com o olhar focado aquém do vasto corredor.
- Sério? Conte logo! - ela exigiu o balançando pelo braço, reagindo adversamente ao tom de mistério que ele empregara à sua introdução narrativa.
- Então não interrompa – ele criticou e ela pousou sua latinha no chão, se aquietando – Isso é tão antigo e bobo que ninguém dá crédito, mas... – Amos pausou levando Lily a acreditar que ele estava fazendo de propósito para deixá-la mais intrigada.
- Dizem que o castelo é amaldiçoado. Cuja bruxaria é perpetrada por quatro entidades demoníacas, mantedoras do local – Diggory voltou a fitar Lily, que estava com os olhos arregalados e os beiços debilmente separados.
- Não me diga que você é medium e veio provar que há paranormalidade em Hogsmead? - ele zombou ensaiando medo e descrença.
Ganhou um tabefe no ombro direito.
- Não, só gosto de mistérios. Adoro escrever sobre isso – justificou retomando seu refrigerante.
- Teve uma época em que as pessoas respeitavam esse lado desconhecido do vilarejo. Hoje em dia estão presos a coisas mais fúteis. O castelo é longe e ninguém visita, talvez por desinteresse ou um não admitido terror – ele continuou.
- Gosto mais do segundo motivo – sorriu Lily com o mesmo brilho no olhar de quando estavam na caminhonete e ele mencionara mortes.
- E tem a casa dos gritos também - ele disse sem dar importância e amassando sua lata de refrigerante com uma pisada.
- Ual! Essa é onde? - Lily juntou sua lata intacta e vazia com a deformada dele e, as atirou no lixo.
- No vilarejo – ele informou e a boca de Lily se moldou como se tivesse um ovo invisível entre os beiços - Meu vizinho me contou que na sua época, quando os habitantes não eram tão barulhentos, se podia ouvir o lamento dos quatro espíritos do castelo – se escorou na parede adstringente à lixeira com as mãos nos bolsos e estudando cientificamente as expressões faciais de Lily.
- Ninguém mora lá? - o espanto e curiosidade eram sólidos na sentença dela.
- Nunca, as pessoas que dizem. E como lhe falei, tal qual o castelo, ninguém dá bola para essas coisas – ele ajuntou se afastando de Lily e seguindo para fora da escola, a forçando a imitá-lo.
- Nossa... Que legal! - ela sorria espontaneamente e alcançou Diggory correndo – E você? Por que veio pra cá? - na empolgação, ela se lembrou que ele dissera que chegou a morar em Londres, na reunião da sorveteria.
- Minha mãe morreu aqui Lily – disse rouca e sombriamente fazendo escoar todo o embevecimento que a garota sentia.By Jaque Weasley


















